Artigo científico · Psicologia Social, Psicanálise e Relações Étnico-Raciais · 2025
Dados da publicação
Autores: Fernando da Silva Mancebo; Victória Rosa da Silva; Waldenilson Teixeira Ramos; Enzo Teixeira Soares Marinho
Revista: RELACult – Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade
Volume e número: v. 11, n. 1
Seção: Dossiê III – Decolonialidade, feminino e negritude
Palavras-chave: Autoestima; Feminilidade; Psicanálise; Negritude; Decolonialidade
Sobre a produção
Este artigo investiga como o racismo estrutural e a herança colonial participam da constituição subjetiva e da autoestima das mulheres negras no Brasil. Por meio de uma revisão de literatura, analisamos como o corpo negro é tensionado por padrões de reconhecimento organizados pela branquitude, especialmente pela imposição de um Ideal do Eu branco, inalcançável e produtor de sofrimento. A reflexão se apoia principalmente nas obras de Neusa Santos Souza, Isildinha Baptista Nogueira, Lélia Gonzalez e Cida Bento, colocadas em diálogo com formulações psicanalíticas acerca do narcisismo, da feminilidade e da constituição do sujeito.
O trabalho surgiu das reuniões realizadas durante 2024 pelo Coletivo Autônomo de Produção Acadêmica da UFF. Embora a publicação tenha sido formalmente assinada por quatro autores, esse número decorreu de uma limitação estabelecida pela chamada editorial. A elaboração intelectual do artigo foi alimentada por discussões conduzidas com um grupo mais amplo e por reflexões construídas no encontro com diferentes participantes. Outros textos também resultaram desse mesmo ciclo de estudos, com distintas composições de autoria, incluindo produções das quais não participei como coautor.
Como autor principal, fiquei responsável pela arquitetura geral e pela redação do artigo, procurando sintetizar as reflexões coletivas e concretizá-las em uma obra textual transmissível. Essa função, contudo, não significa atribuir a um único autor a origem das ideias apresentadas, mas organizar em texto um pensamento produzido em encontros, leituras e debates compartilhados.
A escolha das referências também expressa uma posição metodológica e ética. A proposta não foi realizar uma pesquisa sobre mulheres negras, tomando suas experiências como objetos dos quais pudéssemos extrair uma generalização. Buscamos pesquisar com as obras de mulheres negras, permitindo que suas formulações orientassem as questões, as categorias e o próprio movimento do texto. Não se tratava de falar em nome dessas mulheres, mas de reconhecer sua produção intelectual como fundamento da investigação.
Para quem escreve a partir de uma posição branca, esse movimento exige mais do que descrever o racismo como um fenômeno exterior. Exige deixar-se interpelar por essas vozes, rever os referenciais herdados e assumir uma atitude antirracista no próprio modo de produzir conhecimento. O artigo procura, assim, não apenas denunciar os efeitos subjetivos da colonialidade, mas participar de um deslocamento epistemológico no qual a negritude seja reconhecida como potência de elaboração, autodefinição e produção de saber.
Referência
MANCEBO, Fernando da Silva; SILVA, Victória Rosa da; RAMOS, Waldenilson Teixeira; MARINHO, Enzo Teixeira Soares. Pistas acerca da constituição subjetiva da autoestima das mulheres negras no território brasileiro. RELACult – Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, [S. l.], v. 11, n. 1, 2025. DOI: 10.23899/v9ptw788.
