A vida como produto: genealogia crítica das subjetividades neoliberais

Artigo científico · Psicologia Social, Filosofia e Estudos da Subjetividade · 2025


Dados da publicação

Autores: Waldenilson Teixeira Ramos; Fernando da Silva Mancebo; Isabela Schneider
Revista: Revista Polis e Psique
Volume: v. 15
Palavras-chave: Psicologia Social; Subjetividade; Governamentalidade; Neoliberalismo; Genealogia


Sobre a produção

Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de compreender como o neoliberalismo ultrapassa o campo das políticas econômicas e se constitui como uma racionalidade política produtora de subjetividades. A partir do método genealógico de Michel Foucault, o texto analisa os processos pelos quais valores como competição, desempenho, responsabilização individual e empreendedorismo de si passam a organizar os modos de compreender o corpo, o desejo, o trabalho e a própria existência.

O percurso teórico retoma as formulações foucaultianas acerca da arqueologia, da genealogia, do biopoder e da governamentalidade para examinar a emergência do indivíduo autogerido como ideal neoliberal. Sob essa lógica, cada sujeito é convocado a administrar a si mesmo como uma empresa, convertendo conhecimentos, relações, afetos e características pessoais em formas de capital. O artigo também aborda a capacidade do mercado de incorporar lutas coletivas e diferenças culturais, transformando forças inicialmente contestatórias em identidades e estilos de vida disponíveis para o consumo.

A proposta a partir do Coletivo Autônomo de Produção Acadêmica da Universidade Federal Fluminense, no qual Waldenilson Teixeira Ramos atuava como orientador. A partir das discussões realizadas pelo grupo, ele nos convocou a construir coletivamente um artigo sobre a produção contemporânea de subjetividades em meio à racionalidade neoliberal. A conceitualização inicial do trabalho partiu de Waldenilson e minha participação abrangeu parte da redação e da análise desenvolvida no manuscrito, além de sua revisão e edição em conjunto com Isabela Schneider.

O argumento central é que os modos de vida promovidos pelo neoliberalismo possuem condições históricas determinadas e, por isso, não constituem expressões inevitáveis da natureza humana. Ao reconstruir genealogicamente sua formação, torna-se possível reconhecer como a lógica empresarial se inscreve nas práticas cotidianas e participa da maneira pela qual os sujeitos se relacionam consigo mesmos e com os outros. Tal desnaturalização permite recolocar no campo político sofrimentos frequentemente atribuídos ao fracasso individual e reconhecer, nas práticas coletivas de cuidado e solidariedade, possibilidades de resistência à mercantilização da vida.


Referência

RAMOS, Waldenilson Teixeira; MANCEBO, Fernando da Silva; SCHNEIDER, Isabela. A vida como produto: genealogia crítica das subjetividades neoliberais. Revista Polis e Psique, [S. l.], v. 15, e025013, 2025. DOI: 10.22456/2238-152X.148318.