A posição da escuta psicanalítica no debate contemporâneo das sexualidades: atualizações possíveis nos encontros

Artigo científico · Psicanálise, Estudos de Gênero e Sexualidade · 2025


Dados da publicação

Autores: Fernando da Silva Mancebo; Maria Luiza Imenes Nobre de Almeida; Miguel Rufino Reina Soares; Maria Julia Macedo de Castro; Enzo Teixeira Soares Marinho
Revista: Práxis Psicanalítica
Edição: v. 3, n. 1, maio de 2025
Tema da edição: A Psicanálise e sua práxis contemporânea: sexualidades, racialidades e colonialidades entre a clínica e a cultura
Palavras-chave: Sexualidade; Psicanálise; Escuta


Sobre a produção

Este artigo investiga as possibilidades de diálogo entre a Psicanálise e os debates contemporâneos dos Estudos de Gênero e da Sexualidade. O trabalho discute tanto o caráter historicamente subversivo da escuta psicanalítica quanto a necessidade de revisar formulações marcadas pela heteronormatividade e pelas condições sociais da época em que foram produzidas.

Foi o meu primeiro artigo publicado como autor principal e a oportunidade de submissão surgiu com uma chamada aberta para a Jornada da Práxis Psicanalítica quando estudávamos gênero e sexualidade no Coletivo Autônomo de Produção Acadêmica da UFF. Como já possuíamos estudo e interesse em Psicanálise, consideramos proveitoso promover um encontro entre esses campos, mesmo reconhecendo que parte significativa dos Estudos de Gênero dirige críticas contundentes à tradição psicanalítica.

Optamos, contudo, por organizar o texto na direção de uma construção, e não de uma simples destruição do legado psicanalítico. Isso não significou ignorar suas limitações, mas perguntar se o próprio caráter histórico, dinâmico e subversivo da Psicanálise poderia fornecer condições para sua atualização. Afinal, uma prática fundamentada na escuta perde sua potência quando se fecha antecipadamente aos discursos que contestam seus pressupostos.

O argumento central é que as críticas contemporâneas não precisam ser tomadas como ameaças externas à Psicanálise. Elas podem operar como exigências de revisão, permitindo distinguir aquilo que pertence aos fundamentos de sua práxis daquilo que foi naturalizado por determinadas tradições, instituições e contextos históricos. Nesse sentido, recuperar a subversão presente na história da Psicanálise implica sustentar sua abertura à transformação e construir uma escuta capaz de acolher os múltiplos modos de viver o corpo, o gênero e a sexualidade.


Referência

MANCEBO, Fernando da Silva; ALMEIDA, Maria Luiza Imenes Nobre de; SOARES, Miguel Rufino Reina; CASTRO, Maria Julia Macedo de; MARINHO, Enzo Teixeira Soares. A posição da escuta psicanalítica no debate contemporâneo das sexualidades: atualizações possíveis nos encontros. Práxis Psicanalítica, Niterói, v. 3, n. 1, p. 1–8, maio 2025. DOI: 10.70271/250530.063801.