Neurodivergências sob o modelo social da deficiência: a defesa de uma mudança paradigmática

Capítulo de livro · Psicologia, Estudos da Deficiência e Neurodiversidade · 2026


Dados da publicação

Autores: Fernando da Silva Mancebo; Ellen Calixto Dutra; Douglas Guedes dos Santos; Agatha Meireles Silva Werneck; Idalina de Mello Ferreira Gerab Bachá; Yasmin Peçanha Motta; Daniela Alves de Oliveira; Clara Pache de Faria Carneiro; Maria Antônia Aguiar Salgado Gonçalves; Caio Brandão de Bragança
Livro: Perspectivas multidisciplinares em saúde: práticas integrativas entre Brasil e Portugal, volume 3
Capítulo: 75, p. 694–700
Editora: Omnis Scientia
Palavras-chave: Neurodiversidade; Anticapacitismo; Despatologização


Sobre a produção

Este capítulo surgiu no contexto da Liga Acadêmica de Psicologia e Estudos Neurodivergentes, na qual atuei como diretor de pesquisa e conduzi um grupo de estudos durante o ano de 2026. A partir dos encontros, buscamos construir uma análise do paradigma da patologia, como discurso hegemônico que enquadra a divergência neurológica como conjunto de déficits a serem corrigidos rumo à norma neurotípica, e uma defesa de sua substituição pelo paradigma da neurodiversidade, articulado ao modelo social da deficiência. Por meio de pesquisa bibliográfica qualitativa, o trabalho se constrói primariamente a partir das formulações de Nick Walker e de Debora Diniz.

O argumento central sustenta que ambos os referenciais operam o mesmo deslocamento causal: a desvantagem não reside na constituição inata do corpo ou da mente, mas na relação entre uma configuração corporal singular e um ambiente que não a acomoda. Como sintetiza Diniz, a causa da deficiência está na estrutura social e como refina Walker no vocabulário da neurodivergência, o comprometimento converte-se em desabilitação apenas quando encontra um meio inflexível. Desse modo, no modelo social, as pessoas não têm deficiências, as pessoas são desabilitadas.

Por não haver tradução oficial das formulações de Walker para o português, adotamos tradução própria, apresentada ao lado do léxico original em inglês. A escolha não é acessória. Traduzir disablement por desabilitação, e não por deficiência, é o que permite sustentar em português a distinção conceitual sobre a qual todo o argumento se apoia.


Referência

MANCEBO, Fernando da Silva; DUTRA, Ellen Calixto; SANTOS, Douglas Guedes dos; WERNECK, Agatha Meireles Silva; BACHÁ, Idalina de Mello Ferreira Gerab; MOTTA, Yasmin Peçanha; OLIVEIRA, Daniela Alves de; CARNEIRO, Clara Pache de Faria; GONÇALVES, Maria Antônia Aguiar Salgado; BRAGANÇA, Caio Brandão de. Neurodivergências sob o modelo social da deficiência: a defesa de uma mudança paradigmática. In: Perspectivas multidisciplinares em saúde: práticas integrativas entre Brasil e Portugal. v. 3. Recife: Editora Omnis Scientia, 2026. cap. 75, p. 694–700. ISBN 978-65-284-0495-7. DOI: 10.47094/978-65-284-0495-7/694-700.